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Papo de Quadrinho viu: Blade Runner 2049

A convite da produtora Espaço/Z, este editor assistiu ao filme numa exibição exclusiva para jornalistas. Em respeito aos nossos leitores e seguidores nas redes sociais, essa resenha NÃO TEM SPOILERS.

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Para falar sobre este novo filme do diretor  Denis Villeneuve (A Chegada) é preciso voltar momentaneamente aos anos 1980.

Blade Runner – O Caçador de Androides (1982) de Ridley Scott, com o astro Harrison Ford no papel principal, é um filme de ficção científica distópica com raízes do cinema noir, muito mais preocupado com questões filosóficas do que em ser um filme de ação.

O roteiro foi inspirado no conto do escritor Philip K. Dick chamado Do Androids Dream of Electric Sheep? (Androides sonham com ovelhas elétricas?) mostra o trabalho de um caçador de androides (ou blade runner), em uma Los Angeles distópica que procura androides assassinos renegados (chamados de Replicantes). Essa história funciona como alegoria para pensar nas grandes questões sobre a existência humana; vida, morte e propósito, além de tantas outras perguntinhas que evitamos questionar.

Remendado pela Warner a contragosto de Scott e talvez por sua proposta vanguardista, o filme foi fracasso de público (e crítica) na época. Mas ninguém imaginaria que poucos anos depois, impulsionado pelo aluguel de fitas VHS, essa obra-prima visionária alcançasse o merecido sucesso e hoje fosse considerada um dos mais importantes filmes de todos os tempos.

Com isso em mente, sabíamos que esse seria o primeiro obstáculo para o novo Blade Runner 2049: avançar sob esse legado, nos levando de volta ao universo ficcional que marcou gerações de fãs e admiradores. O diretor Denis Villeneuve revela que impôs uma condição antes de concordar em dirigir o filme. “Eu precisava da benção de Ridley Scott. Essa foi a minha única condição”. Mais do que dar a sua benção, Scott se tornou produtor executivo desta continuação. “(…) se por acaso precisasse dele, eu poderia ligar; ele estaria ao meu dispor a qualquer hora. E, de fato, toda vez que eu precisei, ele estava lá. Eu sempre serei grato a ele”- concluiu Villeneuve.

Uma nova história

Com a bênção de Ridley Scott na produção, o novo Blade Runner começa na internet. Villeneuve criou três curtas para situar o público sobre as mudanças do mundo ficcional de Blade Runner neste período entre os filmes: Black Out 2022 – anime de Shinichiro Watanabe (de Cowboy Bebop) mostrando os acontecimentos depois do filme clássico; 2036: Nexus Dawn apresentou o cientista Niander Wallace (Jared Leto), um magnata que recriou os replicantes e por fim, 2048: Nowhere To Run, que se passa um ano antes da história do filme ocorrer e mostra um acontecimento na vida de Sapper Morton (Dave Bautista).

Para fugir de SPOILERS e tentar falar sobre a história da melhor maneira possível, vamos focar no que faz deste filme um bom filme, e sobretudo, uma continuação honesta (embora desnecessária).

Primeiro, Blade Runner 2049 parte do “clima” original para construir uma nova história e recompõe elementos que fizeram de Blade Runner um clássico. Esse respeito é um acerto e começa na cidade/cenário. Para o cyberpunk, a cidade é um personagem fundamental. Nesta versão L.A. é reapresentada e expandida. Villeneuve procura ser fiel ao espírito do filme original para homenagear a estética do cinema noir, mas não fica preso a isso e apresenta outros cenários de forma atraente – pronto também para Roger Deakins, diretor de fotografia que fez um trabalho excelente. A lista de acertos avança para os figurinos, bons diálogos, a tecnologia mostrada e o que importa: uma história redonda.

O filme tem seu ritmo, com boas cenas de ação, embora nem todas as cenas sejam realmente úteis e o trailer (Ah! O trailer!) simplesmente entrega um pouco mais do que precisa. Por fim, fecha com boas atuações, ou pelo menos uma boa direção.

“Eu tive seu emprego…” (Decker)

RYAN GOSLING as K in Alcon EntertainmentÕs sci fi thriller BLADE RUNNER 2049 in association with Columbia Pictures, domestic distribution by Warner Bros. Pictures and international distribution by Sony Pictures Releasing International.

Ryan Gosling é K, um detetive do Departamento de Polícia de Los Angeles, cujo trabalho ainda é encontrar, investigar e “aposentar” replicantes antigos, remanescentes do período antes do grande black out. Já os Replicantes atuais estão totalmente sob controle e  coexistem com humanos, ainda que com desconfiança. Ambas as questões são tratadas nos curtas disponíveis no Youtube – os links estão ali no texto. Não é obrigatório para entender a história mas é legal conferir.

É neste cenário que K, o novo blade runner, esbarra em uma trama que pode definir o futuro da humanidade, cujas conexões vão levá-lo a procurar sua própria origem e de quebra, reencontrar Decker (Harrison Ford), o ex-blade runner original, enquanto é vigiado por Luv (Sylvia Hoeks), uma vilã convincente.

Mais uma vez os valores da humanidade são questionados durante a procura de K e trazem novamente à tona questões como: O que nos faz humanos? Qual nosso propósito?

Talvez o maior mérito desta continuação (de novo – boa, porém desnecessária) não seja apenas respeitar o clima do filme clássico, ter boas atuações e uma história ok. Talvez as dúvidas de K por respostas sobre sobre sua existência nos dêem a oportunidade de revirar questões em nossa própria cabeça, uma boa ideia exatamente no momento em que a humanidade parece estar cheia de certezas, incapaz de formular grandes perguntas, com preguiça de rever seus próprios atos.

Ponto para Villeneuve que acertou o tom e nos deu um Blade Runner novo para curtir – ou no caso dos fãs mais xiitas, um novo para odiar.  Fica nossa torcida para que seu novo projeto, uma nova adaptação do romance clássico de ficção científica de Frank Herbert Duna, também tenha sucesso.

 

Quadrinhos e afins na Bienal do Livro RJ: Mauricio de Sousa

 

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Para não variar, a Mauricio de Sousa Produções participa de mais uma Bienal do Livro com um grande número de novidades, em parceria com diferentes editoras.

No evento carioca, que começa nesta quinta-feira (31), o estúdio anuncia lançamentos pela Sextante (Mauricio – A História que Não Está no Gibi, sua autobiografia), Boa Nova (Outro Lar), Ciranda Cultural (Aprendendo o ABC, Biblioteca de Boas Maneiras, Vamos Aprender – Alfabeto, Números, Cores e Formas, e Traços – e 60 Atividades), Cortez (Vamos Pensar um Pouco? – Lições Ilustradas com a Turma da Mônica), Girassol (Alice no País das Maravilhas) e Imeph (Uma Viagem a Portugal).

Para o que nos interessa aqui no Papo, os destaques são:

Pela Panini:

Graphic MSP – Capitão Feio – Identidade (Magno e Marcelo Costa): Uma releitura do principal vilão da Turma da Mônica. Nesta história de origem, Capitão Feio é um homem solitário, sem memórias, sem passado e extremamente poderoso. A revelação de seu misterioso dom torna cada vez mais difícil sua relação com a sociedade. 100 páginas, R$ 26,90 (capa cartonada) e R$ 36,90 (capa dura).

Veja preview do álbum aqui.

Turma da Mônica Jovem em Cores – Lembranças: Edição de colecionador, com capa dura, faz uma republicação colorida da série. Na trama, Mônica foi aprisionada em um aparelho que apaga memórias. Enquanto navega pelo seu passado, precisa encontra força para manter suas lembranças e derrotar uma misteriosa inimiga. 108 páginas, R$ 39,90.

Turma da Mônica Jovem – Primeira Série volume 3: Sequência da republicação que o estúdio vem promovendo da primeira série do título. O encadernado reúne as edições 6, 7 e 8 da publicação original. R$ 17,90.

Pela Nemo:

Turma da Mônica Jovem – Uma Viagem Inesperada (Babi Dewet, Carol Christo, Pam Gonçalves e Melina Souza): Quatro contos escritos por quatro autoras, estreladas por diferentes: Mônica, Magali, Denise e Marina. 336 páginas, R$ 39,80

Quadrinhos e afins na Bienal do Livro RJ: WMF Martins Fontes

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Responsável por trazer grandes obras do quadrinho mundial para o Brasil, a WMF Martins Fontes anuncia dois lançamentos para o evento literário, que começa na próxima 5ª feira (31).

Maria chorou aos pés de Jesus (Chester Brown): Em Pagando por Sexo, Brown partiu de sua experiência pessoal para desenvolver um tratado em defesa da prostituição. Agora, o autor leva o tema para uma paragem inusitada: a Bíblia. Nesse novo livro, Brown oferece sua versão sobre histórias do Antigo e do Novo Testamento e as representações bíblicas da prostituição.

Rosa Vermelha (Kate Evans): A biografia em quadrinhos de Rosa Luxemburgo promete tornar o pensamento da filósofa marxista – que divide opiniões mesmo entre os intelectuais de esquerda – acessível a um novo público.

Quadrinhos e afins na Bienal do Livro RJ: Novo Século

 

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Para quem é leitor de quadrinhos, a lista de expositores da Bienal do Livro do Rio de Janeiro, que começa na próxima 5ª feira (31), não é muito animadora. São poucas as editoras especializadas com estande no evento.

Mas claro que se tem Bienal, tem lançamentos. A partir de hoje, vamos publicar o que essas editoras estão levando de novidade para o evento literário.

Começamos com a Novo Século, que vem investindo bastante no segmento e até criou um selo, o Geektopia, apresentado na Bienal de São Paulo no ano passado.

The Wicked + The Divine 2 (Kieron Gillen e Jamie Mckelvie)

A saga dos deuses que caminham entre nós e se assemelham a ícones pop continua. A Novo Século lançou o primeiro volume, que reúne as edições 1 a 5 originais, no final do ano passado. O segundo volume traz as edições 6 a 11. O álbum está em pré-venda na Amazon por R$ 49.

Na linha de romances inspirados/adaptados nos quadrinhos da Marvel, a editora apresenta dois novos títulos:

Homem de Ferro Extremis (Marie Javins)

A trama é conhecida de quem acompanha os quadrinhos: a Dra. Maya Hansen, antiga colega de Tony Stark, desenvolve um processo biológico batizado de Extremis, desenhado para reescrever o corpo humano de fora para dentro. A HQ representou um grande salto na cronologia do Homem de Ferro e serviu de inspiração para o filme Homem de Ferro 3 (2013).

Demolidor – O Homem sem medo (Paul Crilley)

Novelização da famosa minissérie de Frank Miller e John Romita Jr. (2003), que reconta a origem do Demolidor.

Os dois romances já estão à venda na Amazon por R$ 34,80.

ProAC Quadrinhos 2017 incentiva artistas iniciantes

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A principal novidade no edital do Programa de Ação Cultura (ProAC) Quadrinhos deste ano é a criação de dois módulos, Autores Estreantes e Não Estreantes, ausente em edições anteriores.

Com a mudança, metade dos 14 projetos selecionados para receber financiamento deverá ser de autores que nunca publicaram uma HQ antes. E dos sete projetos de cada módulo, quatro serão destinadas a autores residentes fora da capital do Estado.

Neste ano, houve incremento no número de projetos a serem apoiados, de 12 em 2016, para 14 em 2017, sendo R$ 40 mil destinados a cada um. Com isso, o investimento total do programa passou de R$ 480 mil no ano passado para R$ 560 mil neste ano.

O valor ainda fica abaixo dos anos de 2014 e 2015 (20 projetos, R$ 800 mil) e de 2013 (15 projetos, R$ 600 mil).

O prazo para entrega das HQs finalizadas permanece o mesmo das recentes edições do programa: 10 meses contados a partir da assinatura do contrato e recebimento da primeira parcela (70%), podendo ser prorrogado por dois meses.

Artistas interessados em buscar esse financiamento oferecido pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, podem baixar o edital aqui. A inscrição deve ser feita vai até o dia 14 de agosto.

Guia dos Quadrinhos comemora os 100 anos de Jack Kirby

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O Guia dos Quadrinhos – maior catálogo brasileiro de HQs e organizador do evento Festival Guia dos Quadrinhos – criou várias ações para comemorar o centenário de nascimento de Jack Kirby ao longo deste mês – o artista nasceu no dia 28.

A partir do hoje, o Guia publica no site e em sua redes sociais, uma capa por dia desenhada por Jack Kirby. Semanalmente, vai disponibilizar artigos no site do Festival Guia dos Quadrinhos com histórias e curiosidades do “Rei”.

No dia 5, das 15h às 19h, acontece na loja Pop Art’s (Av. Domingo de Morais, 348 – Loja 27, próximo ao metrô Ana Rosa) uma sessão de autógrafos do livro de arte Os Mundos de Jack Kirby, publicado pelo Guia, que traz ilustrações inéditas feitas por 100 desenhistas brasileiros em homenageiam às criações de Kirby.

E no dia 19, a partir de 15h, o Guia promove um debate no Instituto HQ (Avenida Pompeia, 2040) sobre a obra do lendário artista, com participação de especialistas, artistas e pesquisadores, e moderação de Mauricio Muniz.

A partir do dia 19 e até o dia 28, o Instituto HQ passa a abrigar uma exposição de algumas imagens que ilustram o livro O Mundo de Jack Kirby, com curadoria de Edson Diogo, do Guia dos Quadrinhos, e do artista Will.

Durante o período da exposição, o Instituto HQ vai dar 20% de desconto em seus cursos para quem apresentar uma HQ desenhada por Kirby com data de publicação anterior a 1980.

The Few and Cursed, de Felipe Cagno, ganha spin-off

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Na prévia deste ano, Papo de Quadrinho anunciou que a editora Novo Século lançará um álbum com as seis edições de Os poucos e os amaldiçoados (The Few and Cursed), de Felipe Cagno e Fabiano Neves.

Para a compilação ficar pronta, as quatro edições finais ainda precisam ser produzidas de forma independente, com financiamento via Catarse. Faltando menos de seis meses para o fim do ano, o roteirista e criador da série, Felipe Cagno, garante que o planejamento não mudou.

Bem, na verdade, mudou. Mas foi para melhor.

Felipe e o artista Fabiano Neves decidiram lançar uma edição extra do universo de Os poucos e os amaldiçoados chamada As Crônicas de the Few and Cursed – uma espécie de spin-off que explora outros personagens.

A HQ, atualmente em busca de financiamento coletivo no Catarse, vai reunir sete histórias curtas, de sete páginas cada, desenhadas por diferentes artistas, como Luke Ross, José Luis, Pedro Mauro, Andrew Dalhouse, Adriano Di Benedetto, Sam Hart, Felipe Watanabe, Geraldo Borges e outros.

“Quando terminei o roteiro da terceira edição da série principal, Os Corvos de Mana’Olana, percebi que tinha criado alguns personagens interessantes que eu mesmo queria conhecer melhor. Além disso, tem todo um mundo além da Ruiva que também sofreu com o sumiço de 90% da água no planeta da noite pro dia. Eu não queria esperar a conclusão dos Corvos para só então explorar mais esse mundo, e como já tive duas experiências bem positivas com antologias antes, surgiu a ideia das Crônicas”, diz Cagno.

Crônicas se passa no mesmo cenário pós-apocalíptico da série principal, onde praticamente toda a água desapareceu do planeta há setenta anos, em 1840. A fim de sobreviver, a humanidade desenterra antigas maldições. As histórias desse título derivado exploram outras regiões do mundo, como a Pérsia, Austrália e Egito, ao mesmo tempo que introduzem personagens que passarão a integrar a série principal no futuro.

As Crônicas de The Few and Cursed terá 64 páginas e formato americano. Faltando 20 dias para o final da campanha, o projeto já alcançou 77% da meta de R$ 18 mil. As cotas variam de R$ 30 (HQ impressa + PDF) a R$ 500 (duas edições impressas com capas diferentes + PDF + workshop virtual com os autores).

Cagno garante que ao final dessa campanha, entra no ar a busca de financiamento para a próxima etapa da série principal.

Por ora, interessados em colaborar com Crônicas podem fazê-lo neste link.

Comunhão, nova HQ de Felipe Folgosi, tem lançamento no dia 25

comunhãoUm ano após conseguir financiamento coletivo por meio do Catarse, o ator e roteirista Felipe Folgosi anuncia o lançamento de sua segunda investida no universo dos quadrinhos: Comunhão (leia entrevista com o autor aqui).

O lançamento acontece no dia 25 de julho, em dois momentos: às 18h30, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, onde o autor recebe convidados e fãs para uma sessão de autógrafos (nesta hora, não será permitida a retirada da HQ e dos brindes pelos apoiadores do projeto), e às 21h30 na Hamburgueria Stunt Burger, no Morumbi, ambas em São Paulo.

Com 144 páginas, arte em preto e branco do artista maranhense JB Bastos e produção do Instituto HQ, de Klebs Junior, Comunhão, é um suspense e thriller psicológico que se passa durante uma corrida de aventura, contado pelos olhos de Amy, uma ex-corredora de aventura que se vê às voltas em uma trama de muito suspense e ação.

Assim como o trabalho anterior, Aurora, o roteiro de Comunhão foi desenvolvido para o cinema antes de Folgosi decidir transformá-lo numa história em quadrinhos.

“Consegui juntar elementos suficientes para criar uma história plausível partindo de uma premissa histórica, mas mergulhando no lado mais sombrio do ser humano, do que cada um é capaz de fazer para sobreviver. Claro que tudo isso com muita ação, violência e gore”, diz o autor.

A arte da capa (acima) é de Will Conrad e Ivan Nunes. Letras e diagramação de Flavio Soares. Quem não apoiou a campanha de financiamento do projeto pode adquirir a HQ em bancas e livrarias, aonde deve chegar no final de julho, por R$ 49,90.

Papo de Quadrinho viu: Homem-Aranha – De volta ao lar

A convite da produtora Espaço/Z, este editor assistiu ao filme numa exibição exclusiva para jornalistas. Em respeito aos nossos leitores e seguidos nas redes sociais, essa resenha NÃO TEM SPOILERS.

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O novo Homem-Aranha no cinema criou inúmeros dilemas. O jurídico, dizia respeito à disputa pelos direitos do personagem no cinema. A solução foi um entendimento entre Sony Pictures e Marvel Movies que levou o Homem-Aranha a fazer uma ponta em Capitão América: Guerra Civil (2016).

Superado o entusiasmo e o amplo debate nas redes sociais, o caminho estava aberto para a Marvel Movies adaptar o “novo” Homem-Aranha em um filme solo. Mas como recontar uma história que todos conhecem de cor, e de quebra, inserí-la de forma coesa no rentável e organizado Universo Cinematográfico da Marvel (UCM)?

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Esse foi o desafio do diretor Jon Watts. Sem grandes filmes do gênero no curriculo, Watts encararia as inevitáveis comparações com os bem sucedidos filmes, como Homem-Aranha (2002) do diretor Sam Raimi, (estrelado por Tobey Maguire), bem como os mal sucedidos, como O Espetacular Homem-Aranha (2012) do diretor Marc Webb, (com Andrew Garfield como protagonista).

O resultado é positivo com sobras. Podemos considerar Homem-Aranha – De volta ao lar como o melhor Homem-Aranha já feito até aqui, por várias razões, mas em grande parte, graças ao carismático Peter Parker vivido de forma bilhante por Tom Holland.

Atualização necessária

O filme acerta em atualizar Peter Parker, mas sem esquecer elementos básicos dos quadrinhos, muitos tirados do extinto universo Ultimate. Também acerta em não transformá-lo em um cara descolado, fugindo de sua essência de nerd tímido, talvez um dos maiores pecados dos filmes anteriores.

E felizmente o mais importante, não precisar recontar pela trilhonésima vez sua origem, outro acerto do longa.

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Peter Parker continua um nerd inseguro, embora muito inteligente. Constantemente trollado pela turma da escola e ainda fechado em seu mundo de diversões solitárias, tecnológicas e paixões platônicas.

Porém, é ai que temos o encaixe preciso com o UCM: Peter Parker já estava nele e já havia participado de uma missão com os Vingadores, já tinha ganhado um uniforme desenhado por Tony Stark.

Ao retornar para Nova York depois da luta em Capitão América: Guerra Civil, Parker fica como “estagiário” e enfrenta criminosos da vizinhança sob a supervisão do Homem de Ferro.

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O garoto acredita que pronto para desafios maiores, quando descobre as atividades do Abutre (muito bem feito por Michael Keaton) na cidade, mas perceberá o peso de suas responsabilidades e terá que lidar com perigo real. E neste contexto o Abutre é um vilão com motivações reais, e o mais importante: é um vilão factível,  assustador, não é um vovozinho decrepto de colant verde.

Com um sorriso no rosto ao final

A partir dai – para fugirmos de Spoilers – podemos dizer apenas que temos um filme muito bem dirigido. A narrativa não dá margem para dramas exagerados, nem excesso de piadinhas. Equilibra ação com emoção, enquanto entendemos um pouco o que se passa com o novo Peter Parker.

Acompanhamos seu desafio em dominar seus talentos, potencializados por seu traje-aranha tecnológico e o que é mais importante: sofremos com suas dúvidas entre conciliar uma vida comum e ordinária como estudante, com as responsabilidades e desafios de ser super-herói a altura dos Vingadores.

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Para tranquilizar os especuladores, o Homem de Ferro não interfere demais no filme e ainda garante boas risadas no final.  E por falar em final, há duas cenas extras, não saia da sala mesmo quando a música dos Ramones terminar.

Homem-Aranha – De volta ao lar é um filme redondo, com atuações muito boas e mistura ação e humor na justa medida, repetindo a (inesgotável) fórmula de sucesso dos filmes da Marvel. Além disso, o filme também funciona dentro de um universo maior, mas de forma bem encaixada, sem transtornos.

Deve divertir muito leitores de quadrinhos, (os mais velhos e saudosistas nem tanto…) ou quem for apenas fã do bem sucedido UCM. Mas para todos os público é um convite para sair do cinema com um sorriso no rosto.

Revista Status Comics, de Roberto Guedes, ganha nova edição

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O incansável Roberto Guedes mal acaba de lançar sua biografia de Jack Kirby e já vem com novidades. O editor, roteirista, escritor, pesquisador, jornalista (e grande amigo) está retomando a publicação de Status Comicsfanzine que publicou no início da carreira.

Produzida a partir de 1989, sob inspiração de revistas como Amazing Heroes e Comics Interview, a publicação ficou famosa por apresentar novidades do mercado de quadrinhos, entrevistas e reportagens sobre autores e personagens.

Após 10 edições, em 1992 a Status Comics se transformou num selo editorial e abrigou os gibis independentes produzidos por Guedes: Meteoro, Os Protetores e Força Máxima. O fanzine ganhou nova versão em 1995, com quatro números.

A edição de agora volta mais madura e profissional, com um teor jornalístico bastante opinativo, mas sem abrir mão do enfoque histórico característico dos textos de Guedes.

Reestreia aracnídea

A primeira edição da nova Status Comics acompanha os últimos 30 anos de publicação do Homem-Aranha nos quadrinhos, com revelações sobre os bastidores da produção, a guerra de egos entre editores e artistas, e as decisões editoriais equivocadas que quase liquidaram com um dos maiores ícones da cultura popular mundial.

As matérias (veja amostra abaixo) abrangem desde a antológica história A Última Caçada de Kraven (1987) até a recente Clone Conspiracy, passando pelas não menos famosas Saga do Clone, Origem Totêmica, Guerra Civil, Pecados Pretéritos, Homem-Aranha Superior e Spider-Gwen – todas enriquecidas por depoimentos de J. Michael Straczynski, Joe Quesada, Brian Michael Bendis, Stan Lee e J.M. DeMatteis.

A revista fecha com uma reportagem dedicada a John Romita Sr., artista que assumiu a revista do Aracnídeo em 1966 e um dos grandes responsáveis por transformar o personagem num dos maiores sucessos da Marvel até hoje.

O texto revela aspectos pouco conhecidos ou comentados da carreira de Romita, como o fato de ter utilizado um assistente não creditado numa HQ do Aranha, ou detalhes de sua fase final na Marvel, ao comandar o grupo Romita’s Raiders.

A arte da capa da primeira Status Comics (acima) homenageia justamente o grande John Romita e apresenta a arte planejada pelo artista para o magazine The Spectacular Spider-Man 2, de 1968, mas que acabou substituída por uma versão pintada por ele mesmo. Nesta versão, a arte foi restaurada e colorida por Robbie Prado, autor também do novo logotipo do Status Comics.

Com textos e edição de Roberto Guedes e diagramação de Sandro Marcelo, Status Comics 1 tem tiragem limitadíssima, 36 páginas, formato 15 x 21 cm e preço de R$ 25, já incluído o frete. A periodicidade será eventual, ou seja, sempre que o surgir algum assunto que mereça a atenção de Guedes.

Os pedidos podem ser feitos diretamente com o autor pelo e-mail: guedesbook@gmail.com.

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