Revista O Grito!

Papo de Quadrinho — O Grito! Blogs – Quadrinhos

O que esperar de Runaways, nova série de TV da Marvel?

runaways_xlg

Runaways estreia amanhã, dia 21, na plataforma de vídeos Hulu. A boa notícia vem acompanhada de duas más: o Hulu ainda não está disponível no Brasil e, por isso, a série chega por aqui só em 2018, pelo canal Sony (sem data definida).

Quem são os Runaways?

A rigor, a trama criada Brian K. Vaughan (roteiro) e Adrian Alphona (arte) no início dos anos 2000 não tem nada de original, e aí reside seu maior trunfo.

Os autores pegaram elementos recorrentes das HQs de super-heróis – alienígenas, mutantes, viajantes do tempo, magos, cientistas malucos – e criaram algo novo, cheio de frescor.

Na trama, seis adolescentes – Alex, Chase, Gert, Karolina, Molly e Nico – descobrem acidentalmente que seus pais fazem parte de uma seita chamada Orgulho e sacrificam inocentes em nome dos Gibborim, raça ancestral que deseja purificar a Terra.

Na tentativa de impedir seus pais supervilões, os jovens descobrem que alguns deles herdaram esses poderes e se veem obrigados a fugir. No meio do caminho, eles cruzam com vampiros e personagens do Universo Marvel, como a dupla Manto e Adaga e até o Capitão América.

Eles também ganham a companhia de um dinossauro fêmea geneticamente alterado e batizado de Alfazema. Detalhe: em vez computação gráfica, os produtores optaram por usar um boneco bastante realista que contracena de verdade com o restante do elenco.

O pôster da série é uma homenagem à capa do primeiro encadernado dos quadrinhos. Da esq. para dir.: Gert, Nico, Alex, Chase, Karolina e Molly

O pôster da série é uma homenagem à capa do primeiro encadernado dos quadrinhos. Da esq. para dir.: Gert, Nico, Alex, Chase, Karolina e Molly

Por que devo assistir a Runaways?

Porque, pela qualidade do quadrinho original, a série merece pelo menos uma chance. Os dois trailers divulgados antes da estreia passam a impressão de que a adaptação para a telinha será bem fiel.

Tanto a HQ quanto a série foram concebidas tendo em mente o público adolescente. O confronto super-heroico da trama nada mais é que uma metáfora do clássico conflito de gerações entre pais – que às vezes tomam decisões questionáveis pensando no bem da prole – e filhos – que a despeito do esforço dos pais, têm uma necessidade natural de ir contra a ordem estabelecida.

Haja vista que o slogan que estampa boa parte das edições em quadrinhos é: “Em algum momento da vida, todo jovem acha que seus pais são maus. Mas e se eles forem de verdade?”.

Mesmo não sendo um estouro de vendas na época em que foi lançada, Runaways ganhou um Eisner em 2005 e um Harvey em 2006. No mesmo ano, a American Library Association incluiu o encadernado da série na lista de 10 melhores livros para jovens adultos.

Runaways, a HQ – e, espera-se, a série também – tem todos os elementos que garantem uma boa diversão: diálogos inteligentes, humor, drama, descobertas, relacionamentos, traição. Sem falar que a formação eclética da equipe carrega um tema bastante atual na cultura pop, a representatividade.

Uma curiosidade: Molly Hayes, a caçula mutante e superforte da HQ, teve sua identidade alterada na série para Molly Hernandez. Isso porque qualquer coisa relacionada a “mutantes” no cinema e na TV é de propriedade da Fox. Seus pais, inclusive, nem aparecem creditados no material de divulgação, o que indica que a origem e os poderes da personagem sofreram mudanças na adaptação.

Como faço para assistir a Runaways?

A não ser que você queira recorrer a métodos ilegais e não recomendáveis, o jeito é esperar até 2018.

Uma dica é aproveitar esse intervalo para conhecer a equipe nos quadrinhos, batizada aqui de Fugitivos. A Salvat acaba de lançar um encadernado da coleção Os Heróis Mais Poderosos da Marvel (capa vermelha) com o primeiro arco de história.

Antes, a Panini publicou as três primeiras séries completas nesta ordem: Pocket Panini 3 e 4 (2006); Fugitivos 1 e 2 (2006); Avante Vingadores 1 a 14 (2006 a 2008); e Marvel Especial 10 (2008) e 13 (2009). A quarta e quinta séries (2015 e 2017) continuam inéditas no Brasil.

Justiceiro é a melhor série da Marvel-Netflix desde Demolidor

CRIME_FrankGun_Vertical-Main_PRE_BPO

Depois de algum suspense quanto à data de estreia, a primeira temporada de Justiceiro (The Punisher) finalmente desembarcou na Netflix na última sexta-feira (17).

É a sétima produção conjunta da plataforma de vídeos em parceria com a Marvel e uma das melhores até agora.

Jessica Jones (2015) e Luke Cage (2016) começaram bem, mas cansaram depois da primeira metade. Punho de Ferro (2017) nem isso: mal sobreviveu aos três primeiros episódios – e o fato de a série ser comandada pelo mesmo showrunner de Inumanos, Scott Buck, diz muita coisa a esse respeito.

Defensores, que uniu os quatro heróis urbanos, não é de todo má, mas ficou muito aquém do que poderia ter rendido.

A primeira temporada de Demolidor continua imbatível, com sua violência crua e bom desenvolvimento (sem contar o elemento surpresa), enquanto a segunda foi praticamente salva pela subtrama envolvendo… o Justiceiro!

Marvel's The Punisher

E é justamente nesta posição que a série solo de Frank Castle se posiciona no ranking das melhores produções da Marvel-Netflix até agora: entre a primeira e a segunda temporada de Demolidor.

A trama é bem desenvolvida ao longo dos 13 episódios, sem cansar o espectador nem acelerar em direção ao desfecho. Mesmo as subtramas, como a do jovem que voltou traumatizado do Afeganistão ou a do veterano que montou um grupo de apoio para ex-soldados, trabalham a favor da trama principal.

Justiceiro começa com Frank Castle (Jon Bernthal) ainda limpando a área (eufemismo para exterminando) do que restou dos assassinos de sua família.

Feito isso, ele se transforma num homem sem propósito, um soldado sem missão. Mas como a jornada de todo herói, fatores externos tiram Frank Castle de sua catarse e o jogam no olho do furacão. Pior: ele descobre que no caso da morte de sua mulher e filhos, o buraco é mais embaixo – ou melhor, nas camadas mais acima da hierarquia governamental.

O responsável por essa reviravolta é David Lieberman (o ótimo Ebon Moss-Bachrach), vulgo Micro, um ex-analista da Agência Nacional de Segurança que precisa se fingir de morto para garantir a segurança de sua família. Ele sabe que seus inimigos são os mesmos de Castle e acredita que o ex-fuzileiro é um meio essencial para atingir seus fins.

O difícil é convencer Castle disso, e o rodízio de papéis entre caça e caçador que se forma, a dinâmica entre interesse, identificação e, finalmente, amizade entre eles é uma das melhores coisas de Justiceiro.

Marvel's The Punisher

Pode ser que a série desaponte alguns fãs que esperavam 13 horas de banho de sangue. Sim, há cenas de violência típica dos quadrinhos do anti-herói – algumas bem pesadas – mas o que a série tem de melhor é a forma como desenvolve os personagens e as relações entre eles.

E isso se estende para todo o elenco, da agente da Departamento de Segurança Nacional, Dinah Madami (Amber Rose Revah), até o ex-fuzileiro Billy Russo (Ben Barnes).

A forma como Russo evolui de melhor amigo de Frank Castle a algo mais parecido com sua contraparte nos quadrinhos é primorosa, e boa dose do mérito é de Barnes, que consegue construir um personagem com numerosas camadas.

As aparições de Karen Page são pontuais e certeiras, e a atriz Deborah Ann Woll está cada vez mais à vontade com a personagem.

Se no geral Justiceiro já entrega um produto bom muito, há momentos que são dignos de nota. O 10º episódio é um primor de narrativa, com o recurso de um mesmo fato contado sob diferentes perspectivas, e o 12º não só é um dos mais cruéis como também serve para definir o momento em que Frank Castle aceita em sua alma e em seu coração o encargo do Justiceiro.

Será muito bom se Justiceiro servir de exemplo para as próximas produções da Marvel-Netflix. Os fãs agradecem.

Papo de Quadrinho viu: Liga da Justiça (SEM SPOILERS)

A convite da produtora Espaço/Z, este editor assistiu ao filme numa exibição exclusiva para jornalistas nesta terça-feira (14). Em respeito aos nossos leitores e seguidores nas redes sociais, essa resenha NÃO TEM SPOILERS.

JSTLG-BPO-Teaser-2_4000x2490

Para que serve um filme de super-heróis?
Se você responder essa pergunta, pode ser que o entendimento deste filme (e dos muitos que estão por vir neste subgênero cinematográfico) se torne mais claro e com isso as motivações para assistir filmes de super-heróis adquiram outros significados.

Se o objetivo for se divertir, se encantar, se emocionar com o dia sendo salvo por pessoas com dons especiais e, finalmente, ter o prazer de passar algumas horas vendo ao vivo seus super-heróis favoritos dos quadrinhos – ali, em uma versão em carne e osso – você não deve perder o filme Liga da Justiça.

Vamos listar 5 motivos para você ir ao cinema e se divertir, e focar no que deu certo, SEM SPOILERS. Sim, nós sabemos que a boa crítica deve pesar o que deu errado também, mas vamos dar uma chance de fazer diferente desta vez.

1. É A LIGA DA JUSTIÇA, C%$&@L&O!

Não importa se você é fã veterano de histórias em quadrinhos, “bazingueiro” ou nunca deu bola para super-heróis e gibis: você nasceu neste planeta e sabe o que é a Liga da Justiça. Um grupo de super-heróis reunido para defender a Terra e seus habitantes de ameaças externas e internas. Ver o grupo em ação já é motivo suficiente para pagar o ingresso (cada dia mais caro) e passar 2 horas em companhia de Batman, Superman, Mulher-Maravilha, Ciborgue, Flash e Aquaman – os super-heróis da vez (#saudadesLanternaVerde), escolhidos para essa estreia cinematográfica.

2. É UMA BOA (E SIMPLES) HISTÓRIA

Não tem nenhum segredo ou roteiro rocambolesco. A história se passa levando em conta os eventos que ocorrem após a morte do Superman, mostrados no polêmico  Batman vs Superman – A Origem da Justiça. Sem o Azulão de Krypton, a Terra está aberta para qualquer ameaça em larga escala. Assim, surge um vilão ancestral, o Lobo da Estepe, comandante de um exército de criaturas horrendas chamadas de parademônios. Nos quadrinhos, esses monstros são ligados ao maior vilão da editora, Darkseid, criação do genial Jack Kirby.

O Lobo da Estepe está na Terra em busca das Caixas Maternas, artefatos de poder imensurável, capazes de terraformar um planeta por meio da vida ou da morte. A motivação é essa, tomar o planeta Terra e transformá-lo em um inferno (muito, muito pior do que é hoje). Simples assim, sem enormes digressões filosóficas e conceituais, sem muita margem para interpretação. E ainda que este vilão seja o ponto mais fraco do filme, não compromete. Ele não tem incríveis axiomas emocionais, nem um intelecto soberbo alienígena ou um refinamento tático: é um comandante de invasão e veio aqui acabar com tudo. Ponto.

noticia_876274_img1_ligada

3. OS SUPER-HERÓIS ESTÃO ÓTIMOS

Os primeiros 5 minutos do filme ganham o espectador. Aos poucos, vemos a Mulher-Maravilha (Gal Gadot) em ação enquanto Batman (Ben Affleck) procura os outros super-heróis para formar um grupo de defesa da Terra que está, ao que tudo indica, diante de um ameça iminente. Na medida em que Bruce Wayne parte em busca destes escolhidos que possuem dons especiais, vamos aos poucos vendo o que cada um é capaz de fazer individualmente.

A Mulher-Maravilha continua ótima, tanto quanto em seu filme solo. Protagoniza cenas memoráveis de luta e, no decorrer do longa, tem uma relação intrincada e interessante com Batman.

E o Superman (Henry Cavill)? Bom, ele retorna e faz muito bem seu papel na história. Aquaman (Jason Momoa) surge muito bem dados os contextos da história e sua participação dá pistas – e boas esperanças – do que será seu filme solo. O Flash (Ezra Miller) é o alívio cômico, e também tem boa participação. Lembram do Flash do desenho Liga da Justiça sem limites do Bruce Tim? É esse Flash que está no filme.

Por fim, uma grata surpresa: Ciborgue (Ray Fisher). Apesar do visual que lembra um transformer humano, o Victor Stone do filme tem toda a carga trágica dos quadrinhos. Se você não sabe quem é o Ciborgue, ou só viu nas animações infantis de Teen Titans Go! não se preocupe, pois sua trágica história é revelada nesse filme.

No transcorrer da trama, vemos o time todo em ação, como já foi mostrado em trailers e cenas divulgadas. O objetivo do filme afinal é mostrar essas lutas amarradas em uma boa história, e assim chegamos no próximo item.

4. É UM FILME REDONDO

A estrutura e narrativa têm um ritmo adequado, bem conduzido, mas claro, não é e nem precisa ser uma obra-prima cinematográfica. O filme dá certo porque os eventos acontecem no ritmo certo. Como e por que os super-heróis se reúnem para defender a Terra e o custo dessa batalha são questões que vão envolvendo a audiência.

Outro acerto é a Warner sair do clima excessivamente sombrio, equilibrar essa paleta de cores escura adotada anteriormente (influencia de Joss Whedon, talvez?). Algumas piadas, ajustes e uma narrativa simples e coerente fizeram a diferença. Existem alguns problemas, mas nada que comprometa. Poderia ser melhor se a Warner tivesse contado as histórias anteriores de seu universo de forma diferente.

Não que o estúdio precisasse copiar o modelo eficiente da Marvel, mas o fato de não ter mais tempo para explorar as relações entre os super-heróis e outros pequenos ajustes finos impedem que Liga da Justiça seja um filme épico (para usar uma palavrinha da moda). Mas nada disso diminui seu valor nem a diversão, pode ficar tranquilo.

Atenção para duas cenas pós-créditos! Não saia do cinema antes do acender das luzes.

super_friends_h

5. VOLTAR A SER CRIANÇA FAZ BEM

Para uma geração que ficou feliz com Superman: O filme (1978) e nunca imaginou viver uma Era heroica no cinema, com dezenas de filmes – alguns muito bons –  baseados no universo dos super-heróis dos quadrinhos, ter o prazer de acompanhar as aventuras de uma Liga da Justiça no cinema com amazonas, atlantes, parademônios, novos deuses de Jack Kirby, caixas maternas… quem sonharia? Ajudou muito Liga da Justiça ser um filme bem-feito, com roteiro amarrado, paleta de cores mais viva.

Foi um prazer ver tudo isso! Ainda que não seja uma obra-prima, Liga da Justiça cumpre com louvor o papel de representar bem esses heróis tão icônicos para a Cultura Pop e, modo sutil, levantar algumas questões, valores do heroísmo, companheirismo e dos perigos que a nossa escuridão pode trazer. Nunca é tarde para enfrentar as trevas, ainda que elas pareçam invencíveis. São ideias que chegam em boa hora para o mundo atual que vivemos, principalmente por essas bandas tupiniquins.

Papo de Quadrinho viu: Blade Runner 2049

A convite da produtora Espaço/Z, este editor assistiu ao filme numa exibição exclusiva para jornalistas. Em respeito aos nossos leitores e seguidores nas redes sociais, essa resenha NÃO TEM SPOILERS.

010736_DIAwczHWsAAXFaV

Para falar sobre este novo filme do diretor  Denis Villeneuve (A Chegada) é preciso voltar momentaneamente aos anos 1980.

Blade Runner – O Caçador de Androides (1982) de Ridley Scott, com o astro Harrison Ford no papel principal, é um filme de ficção científica distópica com raízes do cinema noir, muito mais preocupado com questões filosóficas do que em ser um filme de ação.

O roteiro foi inspirado no conto do escritor Philip K. Dick chamado Do Androids Dream of Electric Sheep? (Androides sonham com ovelhas elétricas?) mostra o trabalho de um caçador de androides (ou blade runner), em uma Los Angeles distópica que procura androides assassinos renegados (chamados de Replicantes). Essa história funciona como alegoria para pensar nas grandes questões sobre a existência humana; vida, morte e propósito, além de tantas outras perguntinhas que evitamos questionar.

Remendado pela Warner a contragosto de Scott e talvez por sua proposta vanguardista, o filme foi fracasso de público (e crítica) na época. Mas ninguém imaginaria que poucos anos depois, impulsionado pelo aluguel de fitas VHS, essa obra-prima visionária alcançasse o merecido sucesso e hoje fosse considerada um dos mais importantes filmes de todos os tempos.

Com isso em mente, sabíamos que esse seria o primeiro obstáculo para o novo Blade Runner 2049: avançar sob esse legado, nos levando de volta ao universo ficcional que marcou gerações de fãs e admiradores. O diretor Denis Villeneuve revela que impôs uma condição antes de concordar em dirigir o filme. “Eu precisava da benção de Ridley Scott. Essa foi a minha única condição”. Mais do que dar a sua benção, Scott se tornou produtor executivo desta continuação. “(…) se por acaso precisasse dele, eu poderia ligar; ele estaria ao meu dispor a qualquer hora. E, de fato, toda vez que eu precisei, ele estava lá. Eu sempre serei grato a ele”- concluiu Villeneuve.

Uma nova história

Com a bênção de Ridley Scott na produção, o novo Blade Runner começa na internet. Villeneuve criou três curtas para situar o público sobre as mudanças do mundo ficcional de Blade Runner neste período entre os filmes: Black Out 2022 – anime de Shinichiro Watanabe (de Cowboy Bebop) mostrando os acontecimentos depois do filme clássico; 2036: Nexus Dawn apresentou o cientista Niander Wallace (Jared Leto), um magnata que recriou os replicantes e por fim, 2048: Nowhere To Run, que se passa um ano antes da história do filme ocorrer e mostra um acontecimento na vida de Sapper Morton (Dave Bautista).

Para fugir de SPOILERS e tentar falar sobre a história da melhor maneira possível, vamos focar no que faz deste filme um bom filme, e sobretudo, uma continuação honesta (embora desnecessária).

Primeiro, Blade Runner 2049 parte do “clima” original para construir uma nova história e recompõe elementos que fizeram de Blade Runner um clássico. Esse respeito é um acerto e começa na cidade/cenário. Para o cyberpunk, a cidade é um personagem fundamental. Nesta versão L.A. é reapresentada e expandida. Villeneuve procura ser fiel ao espírito do filme original para homenagear a estética do cinema noir, mas não fica preso a isso e apresenta outros cenários de forma atraente – pronto também para Roger Deakins, diretor de fotografia que fez um trabalho excelente. A lista de acertos avança para os figurinos, bons diálogos, a tecnologia mostrada e o que importa: uma história redonda.

O filme tem seu ritmo, com boas cenas de ação, embora nem todas as cenas sejam realmente úteis e o trailer (Ah! O trailer!) simplesmente entrega um pouco mais do que precisa. Por fim, fecha com boas atuações, ou pelo menos uma boa direção.

“Eu tive seu emprego…” (Decker)

RYAN GOSLING as K in Alcon EntertainmentÕs sci fi thriller BLADE RUNNER 2049 in association with Columbia Pictures, domestic distribution by Warner Bros. Pictures and international distribution by Sony Pictures Releasing International.

Ryan Gosling é K, um detetive do Departamento de Polícia de Los Angeles, cujo trabalho ainda é encontrar, investigar e “aposentar” replicantes antigos, remanescentes do período antes do grande black out. Já os Replicantes atuais estão totalmente sob controle e  coexistem com humanos, ainda que com desconfiança. Ambas as questões são tratadas nos curtas disponíveis no Youtube – os links estão ali no texto. Não é obrigatório para entender a história mas é legal conferir.

É neste cenário que K, o novo blade runner, esbarra em uma trama que pode definir o futuro da humanidade, cujas conexões vão levá-lo a procurar sua própria origem e de quebra, reencontrar Decker (Harrison Ford), o ex-blade runner original, enquanto é vigiado por Luv (Sylvia Hoeks), uma vilã convincente.

Mais uma vez os valores da humanidade são questionados durante a procura de K e trazem novamente à tona questões como: O que nos faz humanos? Qual nosso propósito?

Talvez o maior mérito desta continuação (de novo – boa, porém desnecessária) não seja apenas respeitar o clima do filme clássico, ter boas atuações e uma história ok. Talvez as dúvidas de K por respostas sobre sobre sua existência nos dêem a oportunidade de revirar questões em nossa própria cabeça, uma boa ideia exatamente no momento em que a humanidade parece estar cheia de certezas, incapaz de formular grandes perguntas, com preguiça de rever seus próprios atos.

Ponto para Villeneuve que acertou o tom e nos deu um Blade Runner novo para curtir – ou no caso dos fãs mais xiitas, um novo para odiar.  Fica nossa torcida para que seu novo projeto, uma nova adaptação do romance clássico de ficção científica de Frank Herbert Duna, também tenha sucesso.

 

Quadrinhos e afins na Bienal do Livro RJ: Mauricio de Sousa

 

mspbienal

Para não variar, a Mauricio de Sousa Produções participa de mais uma Bienal do Livro com um grande número de novidades, em parceria com diferentes editoras.

No evento carioca, que começa nesta quinta-feira (31), o estúdio anuncia lançamentos pela Sextante (Mauricio – A História que Não Está no Gibi, sua autobiografia), Boa Nova (Outro Lar), Ciranda Cultural (Aprendendo o ABC, Biblioteca de Boas Maneiras, Vamos Aprender – Alfabeto, Números, Cores e Formas, e Traços – e 60 Atividades), Cortez (Vamos Pensar um Pouco? – Lições Ilustradas com a Turma da Mônica), Girassol (Alice no País das Maravilhas) e Imeph (Uma Viagem a Portugal).

Para o que nos interessa aqui no Papo, os destaques são:

Pela Panini:

Graphic MSP – Capitão Feio – Identidade (Magno e Marcelo Costa): Uma releitura do principal vilão da Turma da Mônica. Nesta história de origem, Capitão Feio é um homem solitário, sem memórias, sem passado e extremamente poderoso. A revelação de seu misterioso dom torna cada vez mais difícil sua relação com a sociedade. 100 páginas, R$ 26,90 (capa cartonada) e R$ 36,90 (capa dura).

Veja preview do álbum aqui.

Turma da Mônica Jovem em Cores – Lembranças: Edição de colecionador, com capa dura, faz uma republicação colorida da série. Na trama, Mônica foi aprisionada em um aparelho que apaga memórias. Enquanto navega pelo seu passado, precisa encontra força para manter suas lembranças e derrotar uma misteriosa inimiga. 108 páginas, R$ 39,90.

Turma da Mônica Jovem – Primeira Série volume 3: Sequência da republicação que o estúdio vem promovendo da primeira série do título. O encadernado reúne as edições 6, 7 e 8 da publicação original. R$ 17,90.

Pela Nemo:

Turma da Mônica Jovem – Uma Viagem Inesperada (Babi Dewet, Carol Christo, Pam Gonçalves e Melina Souza): Quatro contos escritos por quatro autoras, estreladas por diferentes: Mônica, Magali, Denise e Marina. 336 páginas, R$ 39,80

Quadrinhos e afins na Bienal do Livro RJ: WMF Martins Fontes

wmf_bienal

Responsável por trazer grandes obras do quadrinho mundial para o Brasil, a WMF Martins Fontes anuncia dois lançamentos para o evento literário, que começa na próxima 5ª feira (31).

Maria chorou aos pés de Jesus (Chester Brown): Em Pagando por Sexo, Brown partiu de sua experiência pessoal para desenvolver um tratado em defesa da prostituição. Agora, o autor leva o tema para uma paragem inusitada: a Bíblia. Nesse novo livro, Brown oferece sua versão sobre histórias do Antigo e do Novo Testamento e as representações bíblicas da prostituição.

Rosa Vermelha (Kate Evans): A biografia em quadrinhos de Rosa Luxemburgo promete tornar o pensamento da filósofa marxista – que divide opiniões mesmo entre os intelectuais de esquerda – acessível a um novo público.

Quadrinhos e afins na Bienal do Livro RJ: Novo Século

 

novoséculo_bienal

Para quem é leitor de quadrinhos, a lista de expositores da Bienal do Livro do Rio de Janeiro, que começa na próxima 5ª feira (31), não é muito animadora. São poucas as editoras especializadas com estande no evento.

Mas claro que se tem Bienal, tem lançamentos. A partir de hoje, vamos publicar o que essas editoras estão levando de novidade para o evento literário.

Começamos com a Novo Século, que vem investindo bastante no segmento e até criou um selo, o Geektopia, apresentado na Bienal de São Paulo no ano passado.

The Wicked + The Divine 2 (Kieron Gillen e Jamie Mckelvie)

A saga dos deuses que caminham entre nós e se assemelham a ícones pop continua. A Novo Século lançou o primeiro volume, que reúne as edições 1 a 5 originais, no final do ano passado. O segundo volume traz as edições 6 a 11. O álbum está em pré-venda na Amazon por R$ 49.

Na linha de romances inspirados/adaptados nos quadrinhos da Marvel, a editora apresenta dois novos títulos:

Homem de Ferro Extremis (Marie Javins)

A trama é conhecida de quem acompanha os quadrinhos: a Dra. Maya Hansen, antiga colega de Tony Stark, desenvolve um processo biológico batizado de Extremis, desenhado para reescrever o corpo humano de fora para dentro. A HQ representou um grande salto na cronologia do Homem de Ferro e serviu de inspiração para o filme Homem de Ferro 3 (2013).

Demolidor – O Homem sem medo (Paul Crilley)

Novelização da famosa minissérie de Frank Miller e John Romita Jr. (2003), que reconta a origem do Demolidor.

Os dois romances já estão à venda na Amazon por R$ 34,80.

ProAC Quadrinhos 2017 incentiva artistas iniciantes

proac

A principal novidade no edital do Programa de Ação Cultura (ProAC) Quadrinhos deste ano é a criação de dois módulos, Autores Estreantes e Não Estreantes, ausente em edições anteriores.

Com a mudança, metade dos 14 projetos selecionados para receber financiamento deverá ser de autores que nunca publicaram uma HQ antes. E dos sete projetos de cada módulo, quatro serão destinadas a autores residentes fora da capital do Estado.

Neste ano, houve incremento no número de projetos a serem apoiados, de 12 em 2016, para 14 em 2017, sendo R$ 40 mil destinados a cada um. Com isso, o investimento total do programa passou de R$ 480 mil no ano passado para R$ 560 mil neste ano.

O valor ainda fica abaixo dos anos de 2014 e 2015 (20 projetos, R$ 800 mil) e de 2013 (15 projetos, R$ 600 mil).

O prazo para entrega das HQs finalizadas permanece o mesmo das recentes edições do programa: 10 meses contados a partir da assinatura do contrato e recebimento da primeira parcela (70%), podendo ser prorrogado por dois meses.

Artistas interessados em buscar esse financiamento oferecido pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, podem baixar o edital aqui. A inscrição deve ser feita vai até o dia 14 de agosto.

Guia dos Quadrinhos comemora os 100 anos de Jack Kirby

kirby_100anos

O Guia dos Quadrinhos – maior catálogo brasileiro de HQs e organizador do evento Festival Guia dos Quadrinhos – criou várias ações para comemorar o centenário de nascimento de Jack Kirby ao longo deste mês – o artista nasceu no dia 28.

A partir do hoje, o Guia publica no site e em sua redes sociais, uma capa por dia desenhada por Jack Kirby. Semanalmente, vai disponibilizar artigos no site do Festival Guia dos Quadrinhos com histórias e curiosidades do “Rei”.

No dia 5, das 15h às 19h, acontece na loja Pop Art’s (Av. Domingo de Morais, 348 – Loja 27, próximo ao metrô Ana Rosa) uma sessão de autógrafos do livro de arte Os Mundos de Jack Kirby, publicado pelo Guia, que traz ilustrações inéditas feitas por 100 desenhistas brasileiros em homenageiam às criações de Kirby.

E no dia 19, a partir de 15h, o Guia promove um debate no Instituto HQ (Avenida Pompeia, 2040) sobre a obra do lendário artista, com participação de especialistas, artistas e pesquisadores, e moderação de Mauricio Muniz.

A partir do dia 19 e até o dia 28, o Instituto HQ passa a abrigar uma exposição de algumas imagens que ilustram o livro O Mundo de Jack Kirby, com curadoria de Edson Diogo, do Guia dos Quadrinhos, e do artista Will.

Durante o período da exposição, o Instituto HQ vai dar 20% de desconto em seus cursos para quem apresentar uma HQ desenhada por Kirby com data de publicação anterior a 1980.

The Few and Cursed, de Felipe Cagno, ganha spin-off

fewcursedcronicas

Na prévia deste ano, Papo de Quadrinho anunciou que a editora Novo Século lançará um álbum com as seis edições de Os poucos e os amaldiçoados (The Few and Cursed), de Felipe Cagno e Fabiano Neves.

Para a compilação ficar pronta, as quatro edições finais ainda precisam ser produzidas de forma independente, com financiamento via Catarse. Faltando menos de seis meses para o fim do ano, o roteirista e criador da série, Felipe Cagno, garante que o planejamento não mudou.

Bem, na verdade, mudou. Mas foi para melhor.

Felipe e o artista Fabiano Neves decidiram lançar uma edição extra do universo de Os poucos e os amaldiçoados chamada As Crônicas de the Few and Cursed – uma espécie de spin-off que explora outros personagens.

A HQ, atualmente em busca de financiamento coletivo no Catarse, vai reunir sete histórias curtas, de sete páginas cada, desenhadas por diferentes artistas, como Luke Ross, José Luis, Pedro Mauro, Andrew Dalhouse, Adriano Di Benedetto, Sam Hart, Felipe Watanabe, Geraldo Borges e outros.

“Quando terminei o roteiro da terceira edição da série principal, Os Corvos de Mana’Olana, percebi que tinha criado alguns personagens interessantes que eu mesmo queria conhecer melhor. Além disso, tem todo um mundo além da Ruiva que também sofreu com o sumiço de 90% da água no planeta da noite pro dia. Eu não queria esperar a conclusão dos Corvos para só então explorar mais esse mundo, e como já tive duas experiências bem positivas com antologias antes, surgiu a ideia das Crônicas”, diz Cagno.

Crônicas se passa no mesmo cenário pós-apocalíptico da série principal, onde praticamente toda a água desapareceu do planeta há setenta anos, em 1840. A fim de sobreviver, a humanidade desenterra antigas maldições. As histórias desse título derivado exploram outras regiões do mundo, como a Pérsia, Austrália e Egito, ao mesmo tempo que introduzem personagens que passarão a integrar a série principal no futuro.

As Crônicas de The Few and Cursed terá 64 páginas e formato americano. Faltando 20 dias para o final da campanha, o projeto já alcançou 77% da meta de R$ 18 mil. As cotas variam de R$ 30 (HQ impressa + PDF) a R$ 500 (duas edições impressas com capas diferentes + PDF + workshop virtual com os autores).

Cagno garante que ao final dessa campanha, entra no ar a busca de financiamento para a próxima etapa da série principal.

Por ora, interessados em colaborar com Crônicas podem fazê-lo neste link.

Página 0 de 193

Papo de Quadrinho é um blog da Revista O Grito!. Todos os direitos reservados. © 2013–2017